SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO E ENERGIA

Os sistemas de iluminação, via de regra, apresentam um significativo potencial de economia de energia elétrica. Sem prejuízo da iluminância desejada para as atividades desenvolvidas nos locais atendidos, é possível otimizar estes sistemas obtendo-se redução no consumo de eletricidade.

Aqui, um controle eficaz dos materiais e equipamentos se traduz em uma boa solução para a obtenção de economias substanciais, que podem ser conseguidas com a otimização na operação dos sistemas de iluminação, escolha criteriosa das fontes de iluminação, componentes acessórios e, evidentemente, com um programa de manutenção adequado das instalações.


Otimizando a operação dos sistemas de iluminação existentes

A utilização racional dos sistemas de iluminação pode trazer economias significativas de energia com a vantagem de, normalmente, exigir pouco investimento para a execução das medidas envolvidas nessa racionalização:

Dentre as inúmeras medidas que podem ser adotadas, as mais representativas são:

  • Redução da iluminância a níveis adequados, respeitando-se o previsto em norma nos locais onde a iluminação é excessiva.
  • Desligamento da iluminação nos locais que não estão ocupados.
  • Utilização de interruptores para maior flexibilidade no uso da iluminação.
  • Aproveitamento, sempre que possível, da iluminação natural.


Utilização de lâmpadas mais eficientes

Existem no mercado vários tipos de lâmpadas que podem ser utilizadas. Cabe ao responsável pela manutenção determinar qual o tipo de lâmpada mais indicado, considerando basicamente as seguintes características:

  • Eficiência luminosa:
    Representa o número de lúmens produzidos pela lâmpada, por watt consumido.

  • Cor aparente da lâmpada:
    Deve ser avaliada para harmonizar a iluminação do ambiente.

  • Reprodução de cores:
    Caracteriza a capacidade das lâmpadas em não deformar o aspecto visual dos objetos que iluminam.

  • Vida útil:
    Representa o número de horas de funcionamento das lâmpadas, definido em laboratório, segundo critérios pré-estabelecidos.

  • Custos do equipamento e instalação:
    Devem ser utilizados numa análise de custo/benefício a ser realizada.

Portanto, sempre que possível, devemos utilizar lâmpadas de alta eficiência luminosa, com maior vida útil e melhor relação custo/benefício, bem adaptadas ao meio ambiente onde serão utilizadas.

Pode-se, por exemplo, dependendo das características da instalação e do local, substituir lâmpadas mistas por vapor de sódio de alta pressão que consomem 5 vezes menos, com vida útil 02 vezes maior.

No quadro abaixo, a título de ilustração, apresentamos os tipos de lâmpadas existentes no mercado:

Tipos Potência (W) Eficiência Luminosa (lm/W) Cor aparente Reprodução de Cores Vida Útil Média (h)  Reator 
 Incandenscente   25 a 500   10 a 20   quente   Excelente   1.000   Não
 Luz Mista   160 a 500   15 a 25   intermed.   Moderada   6.000   Não
 Fluorescente
 Tubular 
 15 a 110   45 a 90   quente
  intermed. 
 fria 
 Excelente a Moderada   7.500   Sim 
 Fluorescente
 Compacta 
 5 a 32   50 a 80   Quente   Boa   8.000   Sim 
 Vapor de
 Mercúrio 
 80 a 1.000   40 a 60   intermed.   Moderada   12.000   Sim 
 Sódio Alta
 Pressão 
 50 a 1.000   60 a 130   Quente   Pobre   16.000   Sim 
 Vapor
 Metálico 
 70 a 3.500   74 a 86   Quente   Muito Boa   10.000   Sim 


Cuidado com Luminárias e Difusores

A eficiência de uma luminária depende em grande parte das condições de manutenção das superfícies refletoras e dos difusores.

No caso dos difusores, a solução ideal no plano energético é não utilizá-los, por representarem uma perda significativa de fluxo luminoso. Porém, essa medida depende das características do local atendido, que pode exigir uma maior proteção para as lâmpadas, como também deve ser verificado o aumento no nível de ofuscamento que a retirada desses acessórios pode causar.

Quando for necessário manter os difusores, deve-se procurar substituir aqueles que se tornaram amarelecidos ou opacos, por outros de acrílico claro com boas propriedades de difusão de luz. Para algumas aplicações, um difusor de vidro claro pode ser usado se ele for compatível com a luminária e a instalação. Pode-se afirmar que um difusor opaco provoca uma redução no fluxo luminoso de até 30%, enquanto que no de acrílico claro esta redução é da ordem de 10%.

Com relação às luminárias, as superfícies refletoras devem ser mantidas limpas, proporcionando boas condições de reflexão. Quando elas se tornarem amarelecidas ou ocorrerem falhas na sua pintura, pode ser interessante pintá-las novamente, procurando utilizar cores claras e refletoras.

Na aquisição ou substuituição de luminárias, deve-se escolher um modelo observando as suas características de reprodução da luz. Lembre-se, as luminárias também apresentam parâmetros que influem no rendimento luminoso final do conjunto lâmpada-luminária-difusor.


Avaliação dos Reatores Utilizados

As lâmpadas fluorescentes, vapor de mercúrio, vapor de sódio e vapor metálico necessitam para o seu funcionamento da instalação de reatores. Estes equipamentos, a exemplo dos transformadores, também apresentam perdas no cobre e no ferro.

Os reatores de boa qualidade geralmente apresentam perdas reduzidas, consumindo menos energia para seu funcionamento. Já os de qualidade inferior podem acrescentar mais de 10% ao consumo final do sistema de iluminação. Muitas vezes, a potência efetiva fornecida pelo reator pode ser inferior ao seu valor nominal, reduzindo o fluxo luminoso emitido e comprometendo, frequentemente, a vida útil das lâmpadas.

Ao adquirir reatores, d&eacirc; preferência aos de boa qualidade, evitando desperdícios desnecessários de energia elétrica e prejuízos ao sistema de iluminação.

Outro ponto a ser observado é o fator de potência dos reatores. Diversos modelos já possuem compensação, apresentando elevado fator de potência. Procure usar estes modelos, evitando assim a sobrecarga das instalações de iluminação e o consequente aumento das perdas por efeito Joule, bem como o uso desnecessário de capacitores.


Controle eficiente da qualidade da iluminação

Para controlar a iluminação com eficiência é indispensável dispor de equipamento de medição (luxímetro), que permite efetuar controles periódicos das iluminâncias nos diversos locais.

Os resultados devem ser devidamente anotados para que suas variações possam ser seguidas no tempo.

Para serem comparáveis, estas medições devem ser realizadas em pontos definidos e localizados com precisão de acordo com as normas. Nos locais onde houver interferência da iluminância natural, as medições devem ser feitas à noite.


Manutenção dos Sistemas de Iluminação

Nos sistemas de iluminação, um dos principais fatores de desperdício de energia elétrica é a manutenção deficiente. De fato, a instalação que não apresenta uma manutenção adequada se degrada com o tempo, determinando uma queda representativa do fluxo luminoso e consequente diminuição da iluminância nos ambientes. isto exige uma maior potência instalada para o atendimento das normas de iluminação.

Com intervenções programadas a iluminância melhora significativamente, permitindo a utilização de um menor número de lâmpadas, proporcionando portanto economia de energia elétrica. A experiência mostra que a implantação de um programa eficiente de manutenção pode proporcionar ganhos de até 30% no consumo de energia.

Estes programas normalmente compreendem dois tipos básicos de intervenção:

  • limpeza das luminárias
  • substituição sistemática das lâmpadas.

    Em sistemas mais complexos, que necessitam manter um adequado ajuste de foco, pode-se incluir nesta manutenção periódica ajustes mais precisos de foco por profissionais do segmento da iluminação.voltar ao topo


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